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Desde muito cedo, quando temos contacto com o programa dos 12 passos, aprendemos que pedir emprestado e emprestar é um pecado capital para as nossas aspirações de entrar em recuperação. Nem nós podemos permitir aos outros que nos ponham num mau espaço nem nós podemos fazê- lo aos outros. Sabermos governar nos com o que temos faz parte de um rigor e de um equilíbrio que nos ajuda a crescer em sobriedade, sem nos colocarmos numa situação embaraçosa. Não sermos assertivos com os outros, colocando-nos muitas vezes em espaços desconfortáveis, é uma grande falha que permitimos porque ou queremos ser agradadores ou temos uma auto estima baixa ao ponto de termos medo do inventário que os outros possam fazer de nós ou queremos dar uma imagem dourada e irrealista da nossa pessoa mesmo que isto nos traga uma factura que nem sempre conseguimos estar à altura dela. Dizer não pode ser libertador até porque se assim não for quando confrontados com situações que ponham a nossa recuperação em perigo nós não estamos habituados a a ter uma resposta eficaz e inequívoca de forma a conservarmos  a qualidade de vida que tanto nos custou a conquistar. Pode portanto a assertividade trazer-nos inúmeros benefícios na nossa rotina, dar-nos o controlo da nossa vida, o respeito e o saber estabelecer limites. 

Há quem afirme que quanto mais renhido for o conflito mais significativo será o triunfo. Alguns de nós acham que podem alcançar o triunfo sem necessidade de passar por situações de tensão. Isso significa que não estão preparadas para experimentar o triunfo, pois de outro modo não pensariam assim. É um facto que que damos pouco valor ao que compramos por baixo preço. Mas os preços que pagamos pelas nossas vidas fazem delas os tesouros mais queridos que possuímos. A nossa liberdade tem muito valor porque nos custou bem caro, quase a vida. E também é habitual dizer-se que o céu, seja lá o que isso for, sabe muito bem o preço das suas mercadoria. Teremos que dar o justo valor àquilo  que conseguimos alcançar, mesmo que frequentemente nos pareça difícil de concretizar. Assim temos a obrigação de expressar a nossa gratidão pela sobriedade, permanecendo em recuperação e tentarmos ser um modelo para muitos adictos no activo que ainda não encontraram o rumo.

Temos a necessidade de não esquecer as nossas orientações de base para prevenir futuros problemas de álcool, drogas ou outros e para não perdermos de vista quem somos e de onde viemos. Não somos perfeitos e muito menos seremos sumidades no campo espiritual.
Somos adictos que encontramos uma solução para os problemas da vida. Trata-se de uma  solução prática para um estilo de vida nada pratico. E, se esquecermos as orientações de base, deixarmos de por em prática o nosso programa, deixarmos de frequentar as reuniões de auto ajuda,  ficaremos expostos a todo o tipo de sublimações idealistas e de ilusões irreais. Estas situações poderão impedir-nos o caminho para a recuperação. Temos então de simplificar todo o processo na procura da limpeza e sobriedade e estar gratos por sermos merecedores de uma nova oportunidade onde o ponto de partida é termos conhecimento do sítio para onde não queremos ir. 
Um adicto com medo quanto baste e grato nunca recai.
Este é um tópico essencial para o desenvolvimento humano e crescimento pessoal. 
Em termos terapêuticos, a motivação é um impulso que direcciona as pessoas a atingirem determinadas metas. É, por um lado, o mecanismo responsável por iniciar, direcionar e manter comportamentos com base nos objectivos propostos, e por outro lado, faz com que os adictos dêem o melhor de si e impulsionem os restantes elementos a fazerem o mesmo.
Os estudos mais recentes, chamam à atenção para o desenvolvimento da auto-motivação ou motivação intrínseca, referindo que após o desenvolvimento que algumas ferramentas emocionais, cognitivas e sociais, é atribuído ao sujeito um papel ativo em manter comportamentos congruentes com as metas estipuladas. 
No tratamento dos comportamentos aditivos, a motivação deve ser um elemento trabalhado intensivamente, promovendo através da força interior de cada um, a disponibilidade real para atingir a meta da Recuperação.
Para muitos de nós, manter um estado de sanidade normal foi sempre uma questão de vida ou de morte. Alguns levam um bocado mais de tempo do que outros para sentirem tal necessidade. Os  sintomas da nossa insanidade dão provas de que somos  diferentes. Não obstante queríamos provar que de uma forma ou de outra conseguíamos atingir o objectivo em vista.
 
Tentávamos provar de que de uma certa forma, este programa não era a única solução disponível para os nossos problemas. E fomos tentando de tudo enquanto as nossas vidas estavam por um fio. A nossa insanidade por vezes atinge o extremo e nada conseguirá restabelece-la a não ser um plano que implique um despertar espiritual. Isto só é possível se vivermos num mundo isento de produtos alteradores da mente.